A contagem normal de plaquetas no sangue varia de 150 mil à 450 mil /mm3 de sangue. Abaixo de 150 mil já é considerado trombocitopenia.
A medida do nº de plaquetas varia com o ciclo menstrual, aumentando após a ovulação e caindo no início da menstruação. Pode estar diminuída na deficiência grave de ferro, ácido fólico e vitamina B12.Trombocitose secundária ou reacional. Ocorre quando o nº de plaquetas aumenta devido a estados inflamatórios sistêmicos, tumores, hemorragias, def. discreta de ferro. Nos estados inflamatórios, provavelmente este aumento de plaquetas é devido liberação de interleucinas ( IL-3, IL-6, IL-1) que estimulam a produção medular.
A trombocitopenia é causada por :
. Redução da produção medular
. aumento do seqüestro esplênico
. aumento na destruição plaquetária
No primeiro citado, as causas comuns são aplasia medular, fibrose ou infiltração por células malignas , quimioterapia oncológica, hipoplasia amegacariocítica congênita. O diagnóstico se faz facilmente pela biópsia de medula óssea.
No segundo, as esplenomegalia aumenta o número de plaquetas aprisionadas no baço, aumentando a taxa de lise plaquetária. Causas comuns: hipertensão porta, leucemia com infiltração esplênica de células tumorais, linfoproliferação esplênica ( linfoma) ou ainda da doença de Gaucher..
No terceiro citado, vasos anormais, próteses vasculares, trombos de fibrinas podem encurtar a sobrevida das plaquetas. Exemplo disso são: púrpura trombocitopênica trombótica, vasculites, síndrome hemolítico-urêmica, coagulação intravascular disseminada, próteses cardíacas...
Avaliação clínica
Primeira coisa a fazer é palpar o baço. Se houver baço normal ( comprovar com ultrassom), pesquisar a medula ( biópsia). Se medula normal, procurar causas de destruição excessiva ( fármacos) ou CID, vasculite, próteses, sepse, etc. Se medula anormal, diagnosticar: aplasia, mielodisplasias, câncer metastático.
Se houver esplenomegalia e medula normal na biópsia, pesquisar hipertensão portal, hepatopatia, doenças de armazenamento, tumor, infecção crônica. Se a medula estiver anormal, pensar num distúrbio mieloproliferativo( linfoma, leucemia).
Casos plaquetopenia isoladamente no hemograma, sem outras queixas, sem baço palável, etc. considere como púrpura trombocitopênica idiopática o diagnóstico mais provável.
Trombocitopenia induzida por fármacos
Ingestão de grande quantidade de álcool, uso de diuréticos tiazídicos, uso de estrogênios e fármacos mielossupressores ( citosina arabinosídeo, daunorrubicina dão as trombocitopenias mais graves) causam supressão medular da produção da linhagem plaquetária.
Antibióticos como sulfatiazol, novobiocina, p-aminossalicilato, sedativos, hipnóticos, anticonvulsivantes, metildopa, digitoxina, sais de ouro,heparina podem induzir destruição imunológica das plaquetas ( formação de complexo antígeno-anticorpo e ativação do complemento). A trombocitopenia pela heparina é freqüente (10-15 %) e pode ser fatal com hemorragias graves. A heparina de baixo peso molecular reduz o risco.
Provas laboratoriais:
Tempo de sangramento : Vê a capacidade funcional das plaquetas ( dependente também da quatidade) É um furo feito na ponta do dedo. O tempo normal é 2-4 minutos.
Tempo de coagulação - Alterado nos distúrbios que afetam a formação da fibrina ( fatores da coagulação) Nomal é de 4-10 minutos.
PTTK - Partial Thromboplastin Time activated by Kaolin - Alterado da eficiência de fatores de coagulação ( via intríseca , via fator XII). Mede o tempo da coagulação, desde a ativação do fator XII com Kaolin até a formação da fibrina.
TAP ( Tempo de Ativação da Protrombina) - Prova de Quick - Vê a atividade dos fatores V, VII ( via extrínseca, tissular). Vai de 10-13 segundos.